O que é a pesquisa Origem Destino?

Nesta semana, o Metrô de São Paulo divulgou os primeiros resultados da pesquisa Origem Destino de 2017. Ela foi feita no ano passado através da visita a 32 mil municípios na Região Metropolitana de São Paulo. Mas afinal, o que é uma pesquisa Origem Destino (OD) e por que ela é feita?

O que é?

As pesquisas Origem Destino são feitas em um determinado território — geralmente uma cidade ou uma região metropolitana — e servem para investigar os padrões de deslocamento daquela população. Quantos deslocamentos são feitos por dia, para onde estas pessoas vão, como elas vão e quais os horários de maior movimentos são algumas respostas fornecidas pelas pesquisas OD. 

Elas são fundamentais para o planejamento dos serviços de transporte daquela região, porque ajudam a compreender quais intervenções e obras serão mais eficazes na busca pela melhoria da mobilidade.

As pesquisas Origem Destino ajudam a planejar a expansão do metrô. – Lailton Araújo

Em São Paulo, a primeira pesquisa de Origem Destino foi feita em 1967, quando o metrô de São Paulo ainda estava em fase de planejamento. Ela serviu de insumo para que os responsáveis pudessem definir os traçados das linhas do metrô, além de estabelecer uma hierarquia de prioridades. Desde então, a Companhia do Metropolitano de São Paulo repete a pesquisa a cada dez anos para acompanhar continuamente a evolução das tendências de mobilidade na metrópole.

Como ela é feita?

Usando dados do Censo Demográfico, produzido pelo IBGE, os pesquisadores selecionam uma amostra de domicílios na área que será investigada. Com esta seleção já feita, os pesquisadores visitam as casas e apartamentos e perguntam a todos os moradores sobre as viagens feitas no dia anterior. Conta tudo: desde a ida ao trabalho e à escola até visitas ao supermercado, padaria, etc. 

Com base nessas respostas, é possível verificar quais são os modos de transporte mais usados, os horários de maior movimento, dentre outras informações relevantes.

Um detalhe metodológico importante

Os resultados da pesquisa Origem Destino são apresentados a partir do modo principal de cada viagem. Este modo é o que tem a maior capacidade de transportar pessoas dentre todos os usados naquela determinada viagem. Ou seja, caso alguém faça um trajeto usando bicicleta → trem → metrô → ônibus → a pé, o modo principal da viagem será o metrô, não importando a distância percorrida em cada transporte.

Prévia dos resultados de 2017

Embora ainda falte muito processamento de dados e algumas coisas mais complexas que apenas estatísticos conseguiriam explicar, já é possível conhecer alguns resultados da pesquisa do ano passado.

Certamente o principal destaque é para o aumento do modo táxi + aplicativos, que cresceu mais de 400% desde 2007 com o surgimento de Uber, 99 e Cabify. Nesta categoria, 76% das viagens foram feitas usando os apps, enquanto os táxis somam 24%. 

Porém, a OD 2017 de São Paulo repete algo que percebemos em pesquisas como esta feitas em outras cidades: o modo principal de viagens continua sendo a pé, mesmo este sendo o último modo na hierarquia de transportes. Ou seja, neste caso só estão contadas as viagens feitas a pé do início ao fim. Não são consideradas as caminhadas até o transporte público, por exemplo.

Trataremos deste tema com detalhes no Urbanologia em artigos futuros, mas desde já é possível afirmar que as políticas públicas para mobilidade precisam ter o pedestre no topo da pirâmide de prioridades.

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